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4/9/2018

CASSI acumula R$ 385,9 milhões de déficit no 1º semestre
Pagamento a prestadores só foi possível em função do adiantamento feito pelo BB

A CASSI acumulou R$ 385,9 milhões de déficit no primeiro semestre de 2018. O montante é quase sete vezes maior que o resultado dos primeiros seis meses do ano passado, também negativo, de R$ 56,6 milhões.

As despesas assistenciais (pagamento a prestadores credenciados e profissionais de saúde das CliniCASSI) superaram em R$ 275,2 milhões as receitas assistenciais (contribuições pessoal e patronal dos associados, mensalidades do CASSI Família e parte do ressarcimento temporário e extraordinário do BB) no primeiro semestre de 2018. O cenário é inverso ao mesmo período do ano passado, quando as receitas assistenciais foram superiores às despesas assistenciais em R$ 15,8 milhões. Veja detalhes no Visão CASSI, disponível na área exclusiva de Associados, no site CASSI.

Com o déficit, o pagamento a prestadores no primeiro semestre deste ano só foi possível porque o Banco do Brasil fez a antecipação de R$ 323 milhões referentes à contribuição patronal sobre o décimo terceiro dos funcionários da ativa e de aposentados até 2021. O valor foi repassado em três parcelas (abril, maio e junho) e garantiu o fluxo de caixa para a CASSI, mas já foi integralmente consumidos.

O descasamento entre a arrecadação e os gastos com assistência fez chegar a 110% a sinistralidade da Caixa de Assistência no primeiro trimestre de 2018. Este índice mede o quanto que as despesas consumiram das receitas do plano e, quanto mais alto for, pior, devendo estar sempre abaixo de 100%. Como parâmetro, o índice de sinistralidade das autogestões foi de 92,4% no primeiro trimestre, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Risco de intervenção

Os déficits consecutivos dos últimos seis anos culminaram no consumo total das reservas financeiras da CASSI, que se esgotaram em 2017, ficando negativas em R$ 7 milhões e levando a Instituição a apresentar índices de baixa liquidez e insuficiência de margem de solvência, o que resultou em notificação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No primeiro semestre de 2018, as reservas líquidas chegaram a R$ 131,8 milhões negativos. Entenda a origem da situação financeira atual clicando aqui.

Na prática, a consequência desta situação é que a CASSI não tem dinheiro guardado para suprir imprevistos. Caso ocorra qualquer dispêndio fora do planejado, será preciso usar recursos das reservas obrigatórias e, dessa forma, a Caixa de Assistência ficará exposta a uma intervenção imediata do órgão regulador.