Publicado em: 07/01/26

Pesquisa confirma efetividade do modelo de cuidado adotado pela CASSI


Uma pesquisa de mestrado da Universidade Federal de Minas Gerais apresentou evidências do que a CASSI comprova na prática, por meio dos resultados de saúde das pessoas nas CliniCASSI e dos estudos de risco populacional dos seus participantes: pessoas acompanhadas por equipes de atenção primária à saúde adoecem menos e têm número de internações reduzido em relação ao restante da população. Publicado recentemente pela revista científica The British Medical Journal (BMJ), o estudo aponta redução de 11,9% nas internações da população acompanhada por médicos de família em Belo Horizonte, com impacto ainda maior em doenças específicas. É o caso de diabetes, com queda de 32,8% nas internações em pessoas vinculadas à atenção primária à saúde, e hipertensão, com redução de 24,5%. O estudo considerou 600 mil internações registradas entre 2017 e 2021 na capital mineira, cruzando dados com a cobertura de atenção primária em 152 centros de saúde da cidade.

A pesquisa revela ainda a redução de 10,6% nas despesas com a população acompanhada pelas equipes de saúde da rede pública de Belo Horizonte, com economia estimada de R$ 30 milhões para o SUS no período analisado. Na CASSI, a despesa per capita é 26% menor no grupo de participantes com doenças crônicas que frequentam as CliniCASSI em relação aos com mesmos problemas de saúde que não usam os serviços próprios da CASSI. O estudo nasceu de uma inquietação relacionada à sua formação, diz o médico de família Gregório Rodrigues, um dos autores da pesquisa. “Me questionavam por que escolher essa especialidade e colegas pediam que parasse de defender a medicina de família ou provesse seus efeitos”, conta Rodrigues. Foi o que ele fez: identificou que onde havia mais profissionais com residência em medicina de família, havia menos internações. O fato de doenças preveníveis por vacina não apresentarem variação entre acompanhados e por médicos de família reforça o papel desses profissionais no controle de agravos de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, por exemplo. “Quando há falhas no cuidado, esses casos evoluem para internações, gerando sofrimento e aumentando custos hospitalares”, explica o médico.

Queda nas internações
11,9% doenças em geral
32,8% diabetes
24,5% hipertensão

Por que a CliniCASSI gera melhor resultado?


O cuidado oferecido pelas CliniCASSI faz diferença na redução de internações porque a atuação ocorre de forma preventiva, evitando complicações de condições crônicas, e individualizada, considerando a história e o contexto biopsicossocial, que varia de pessoa para pessoa. Assim, um mesmo sintoma pode ter diferentes causas e tratamento mais adequado do que seguir um protocolo padrão. “Aqui [na CliniCASSI] o atendimento é centrado na pessoa, não na doença, com aconselhamento de acordo com o estilo de vida, porque as pessoas não são iguais. Acompanhando o participante ao longo do tempo, identificamos se um sintoma pode estar relacionado a algum problema emocional, familiar ou ao trabalho, por exemplo. E há uma rede de apoio envolvida, de uma equipe, não de um único profissional”, diz a médica de família Juliana de Abreu Mesquita, da CliniCASSI Salvador.

“Como tratar um paciente hipertenso sem levar em conta seu contexto de vida, níveis de estresse e fatores emocionais? A medicação, isoladamente, muitas vezes não é suficiente. Em alguns casos, o aumento da dose não gera o resultado esperado quando o foco está apenas na hipertensão. Ao compreender que existem outros fatores envolvidos, como mudanças no estilo de vida, terapia e a utilização de técnicas complementares, é possível alcançar o controle da pressão arterial e prevenir agravos como infarto e AVC“, exemplifica o enfermeiro William Oliveira da Silva, que atua na atenção primária da CliniCASSI Brasília. O cuidado não se limita à doença, a pessoa é avaliada de forma integral, considerando alimentação, hábitos de vida e história pessoal “porque cuidamos de pessoas e não de doenças”, reforça o enfermeiro.

Juliana também atribui o sucesso da atenção primária ao fato do paciente ser envolvida nas decisões sobre a sua saúde, o que dificilmente ocorre nas consultas isoladas, com especialistas e de forma pontual, sem continuidade. “Aqui a pessoa se percebe como agente do cuidado e é mais fácil que consiga modificar hábitos prejudiciais à saúde e, assim, evitar descompensações”, explica. E quando há necessidade de ouvir um especialista, a equipe da CliniCASSI indica e passa a contribuir no gerenciamento do cuidado também na rede credenciada, para maior efetividade. “Resolvemos cerca de 80% dos agravos e os 20% que exigem direcionamento para rede especializada contam com nosso apoio. Isso evita exposição dos nossos participantes ambientes, exames e procedimentos que, quando desnecessários, podem gerar outros problemas de saúde”, complementa William.