Publicado em: 19/08/26

Boletim inédito apoia qualificação do cuidado do câncer de mama na CASSI

O primeiro Boletim Epidemiológico sobre Câncer de Mama da CASSI acaba de ser lançado, com dados e análises sobre a doença entre os próprios participantes. A publicação representa um avanço na estratégia de compreensão do risco populacional e marca uma nova etapa no fortalecimento de iniciativas que apoiam o cuidado relacionado à doença que é a principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil.

Além de considerar os estudos nacionais e internacionais, ao entender também as características específicas da própria população a CASSI amplia a capacidade de planejar ações cada vez mais aderentes à realidade dos seus participantes. Com isso, poderá fortalecer ações de prevenção, rastreamento, diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença, além de entender a evolução de novos casos na sua base.

Diferenciais
Um dos diferenciais do Boletim é a possibilidade de acompanhar a presença do câncer de mama na população CASSI ao longo do tempo. Por contar com uma população acompanhada em diferentes etapas do ciclo de vida, é possível identificar tanto os novos diagnósticos quanto as participantes que já convivem com a doença. Essa perspectiva complementa os indicadores nacionais, que apresentam o monitoramento de novos casos.

Crescimento
O Boletim mostra que a taxa anual de prevalência do câncer de mama cresceu 73,7% no período analisado. Em 2017, eram registrados 5,7 casos ativos por mil participantes do sexo feminino. Em 2024, esse número alcançou 9,9 casos por mil mulheres. Também apontou um aumento na quantidade de casos em mulheres com mais idade.

A maior concentração dos casos permaneceu entre mulheres de 50 a 79 anos, faixa etária que respondeu por 55% dos registros em 2024. As maiores taxas de prevalência se mantiveram entre mulheres com 70 a 79 anos de idade, variando de15,7 em cada 1.000 mulheres em 2017 para 21,4 em 2024. Logo a seguir está o grupo de 60 a 69 anos, com crescimento de 13,4 para 19,0 por 1.000 mulheres na taxa de prevalência.

Entre as possíveis explicações para esse aumento estão o envelhecimento da população feminina da CASSI, considerando que o câncer de mama é mais frequente nas faixas etárias mais elevadas, o aumento da sobrevida, decorrente dos avanços no diagnóstico e tratamento, fazendo com que mais mulheres permaneçam contabilizadas entre os casos prevalentes.


Número de casos a cada mil participantes CASSI

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Detecção precoce
Os dados também apontam resultados importantes relacionados à continuidade do cuidado na CASSI: entre as mulheres diagnosticadas em 2024, 81,4% haviam realizado mamografia nos 24 meses anteriores ao diagnóstico e 60,5% realizaram biópsia após a mamografia, evidenciando a trajetória de acompanhamento antes da identificação da doença.

Além de ampliar o conhecimento sobre o perfil epidemiológico do câncer de mama na população assistida, o boletim fortalece a capacidade da CASSI de desenvolver políticas e programas direcionados às necessidades reais dos participantes. As análises contribuirão para a avaliação contínua das estratégias de cuidado e para a identificação de oportunidades de aprimoramento na atenção à saúde da mulher.

Contribuição social
Além de contribuir para qualificar as ações de prevenção e cuidado voltados aos seus participantes, o estudo da CASSI também gera conhecimento relevante para o sistema de saúde brasileiro, especialmente para as demais autogestões, ao apresentar dados sobre a taxa de prevalência do câncer de mama. Esse indicador considera tanto os novos diagnósticos quanto as pessoas que permanecem convivendo com a doença ao longo do tempo. A permanência mais longa dos participantes nos planos da CASSI, uma característica das operadoras de autogestão, favorece a visualização desses dados ao longo do tempo, diferentemente dos planos de mercado com maior rotatividade dos participantes.

O Boletim, portanto, reforça o papel histórico da CASSI como referência entre as autogestões em saúde, contribuindo para desenvolvimento do setor de saúde suplementar e para o avanço das discussões sobre modelos de cuidado à saúde baseados em evidências.

Ações
Antes mesmo de o Boletim ficar pronto, a CASSI já identificou aumento de casos entre suas participantes antes de completar 50 anos de idade. Por isso, em 2024, passou a recomendar o início do rastreamento a partir dos 40 anos para mulheres com algum fator de risco, como hereditariedade, e a partir de 45 anos de idade para todas as mulheres. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de iniciar ao rastreamento a partir dos 50 anos, considerando as médias da população mundial. No ano seguinte à CASSI, o SUS também passou a antecipar a recomendação para 40 anos de idade.

Iniciar mais cedo o rastreamento faz sentido porque a detecção precoce do câncer de mama melhora o resultado geral do tratamento, bem como a eficácia do primeiro tratamento, reduzindo o risco de morte por câncer. As evidências científicas mostram ainda que a identificação nos estágios iniciais diminui a necessidade de tratamentos mais complexos e, consequentemente, o custo assistencial.