Aporte extraordinário: respostas para perguntas frequentes
Votação de 18 a 25 de novembro de 2026
Entendendo o momento
Por que a CASSI precisa de uma solução agora?
Porque a conta do Plano de Associados não fecha, e isso já acontece há alguns anos. Em 2025, o plano teve déficit (quando sai mais dinheiro do que entra) de R$ 868 milhões e precisou usar R$ 813 milhões das reservas, que funcionam como uma poupança. As reservas fecharam 2025 em R$ 702 milhões e, em agosto de 2026, estavam em R$ 314 milhões. Hoje, para cada R$ 100 que entram, saem cerca de R$ 140.
O que acontece se a proposta não for aprovada?
Vamos ser diretos: o risco é real. A ANS, agência do governo que fiscaliza os planos de saúde, exige que toda operadora tenha um nível mínimo de recursos guardados para garantir o atendimento. Quando isso não acontece, a ANS pode colocar o plano sob direção fiscal, que é quando ela nomeia um representante para acompanhar a gestão de perto e exige um plano de recuperação. Isso já aconteceu com a CASSI em 2019. Se a situação não se resolve, a regulação prevê medidas mais duras, que podem chegar à transferência dos participantes para outra operadora ou ao encerramento do plano. Ninguém quer chegar perto disso, e é por isso que a decisão não pode ser adiada.
O Banco já antecipou mais de R$ 720 milhões. Por que ainda é preciso mudar?
Porque antecipar não é acrescentar dinheiro. São contribuições que o Banco faria nos próximos anos, sobre o 13º salário, e que foram pagas antes. Esse recurso garantiu o pagamento de hospitais, clínicas e laboratórios e manteve o atendimento normal enquanto a negociação seguia. Foi uma decisão de responsabilidade com as pessoas. Mas ela garante o caixa no curto prazo e não muda a diferença entre o que entra e o que sai todo mês. Inclusive, essas contribuições não vão entrar de novo lá na frente.
Esse valor quita alguma dívida do Banco com a CASSI?
Não. Os mais de R$ 720 milhões não são pagamento de dívida passada nem recurso novo. São antecipações de contribuições patronais futuras. Também vale saber: pelo Estatuto da CASSI, quando falta dinheiro no Plano de Associados, a única forma prevista de o Banco ajudar é justamente antecipando contribuições. Foi o que ele fez, duas vezes em 2026.
A reforma de 2019 não tinha resolvido o problema?
Ela resolveu a emergência daquele momento, mas nunca foi pensada como solução definitiva. Já em 2019, os cálculos indicavam que as medidas garantiriam o equilíbrio do plano até 2022. Era um período de fôlego. Graças à prevenção, ao uso de tecnologia e ao combate a desperdícios e fraudes, esse fôlego durou mais de dois anos além do previsto. Mas a causa de fundo continua: as receitas do plano não acompanham o ritmo dos custos da saúde.
Se o assunto é tão urgente, por que a negociação demorou tanto?
Porque não é uma conversa só entre duas partes. Além do Banco e dos associados, participam a própria CASSI e as entidades que representam funcionários e aposentados, como Contraf, Contec, ANABB, AAFBB e AFABB. Cada uma traz seu ponto de vista, e qualquer mudança afeta milhares de pessoas. Durante a campanha salarial, a mesa ficou suspensa, e as antecipações do Banco garantiram o tempo necessário para retomá-la. Agora, com a proposta construída, é hora de decidir.
Salário, inflação e custo da saúde
“Os salários não acompanham a inflação. Não é por isso que a CASSI não fecha a conta?”
Nos últimos anos, os salários ficaram acima da inflação. De 2013 a 2025, os reajustes no BB somaram 120,39%, contra 103,32% de inflação no mesmo período. O problema é outro: os custos da saúde sobem mais rápido que quase tudo na economia. Em 2025, o custo médio da assistência nos planos de saúde subiu 11%, praticamente o dobro da inflação geral. Por isso, essa conta pesa em todos os planos do país, não só na CASSI.
Não bastaria aumentar os salários para resolver a CASSI?
O reajuste dos bancários é definido em uma mesa única com a Fenaban, que reúne cerca de 170 bancos e vale para toda a categoria. E, mesmo com reajustes acima da inflação geral, os custos da saúde crescem num ritmo maior. Some a isso o envelhecimento dos participantes e tratamentos cada vez mais caros. Ou seja, o desafio da CASSI é do próprio modelo de financiamento e precisa de uma solução no próprio plano.
Por que a saúde fica mais cara tão rápido?
Vários fatores ao mesmo tempo. Remédios e tratamentos mais modernos, principalmente contra o câncer, custam mais. Novas tecnologias salvam vidas, mas têm preço alto. E estamos vivendo mais, o que é ótimo e também significa mais cuidado ao longo da vida: hoje, 34,1% dos participantes têm 59 anos ou mais. Um dado ajuda a entender: em 2025, o número de internações caiu 11,8%, mas o gasto com elas subiu 3,4%. O peso está no custo de cada atendimento, não em usar mais o plano.
Gestão e eficiência da CASSI
A CASSI não deveria cortar gastos antes de pedir mais?
Ela vem fazendo isso. O custo administrativo da CASSI é de 7,1% da receita, abaixo da média de cerca de 10% das autogestões. Em 2025, as despesas assistenciais cresceram 6%, abaixo da inflação médica, e o déficit ficou em menos da metade do que estava previsto no orçamento. A CASSI também usa inteligência artificial para combater fraudes e desperdícios e agilizar autorizações. Esse esforço continua, mas sozinho não fecha a conta.
A CliniCASSI vale o que custa?
Os números mostram que sim. Quem é acompanhado nas CliniCASSI gasta até 46,2% menos do que quem não é, considerando pessoas com perfil de saúde parecido. As idas ao pronto-socorro caíram 10,8%. É o modelo de Atenção Primária: uma equipe que conhece seu histórico, acompanha sua saúde de perto e evita que problemas simples virem complicações caras.
Outros planos comerciais têm receita por pessoa muito menor. Por que a CASSI não consegue?
A comparação parece simples, mas junta coisas muito diferentes. A CASSI tem cobertura nacional e ampla, inclusive com benefícios além do mínimo exigido pela ANS, e uma carteira mais velha do que a média do mercado. Muitos planos com mensalidade baixa limitam rede, região ou tipo de atendimento. Para comparar de verdade, é preciso olhar cobertura, rede, idade dos participantes e o que cada plano deixa de fora.
Por que não trocar a CASSI por um plano de mercado?
Terceirizar não elimina o desafio, só muda quem cobra a conta. Planos de mercado reajustam a mensalidade todo ano conforme o custo e a idade, e o valor tende a subir muito justamente na aposentadoria, quando mais precisamos. Também mudariam cobertura, rede e regras de acesso, e os associados perderiam o direito de decidir sobre o plano.
As contas da CASSI são auditadas? Onde posso acompanhar?
Sim. Todas as contas passam por auditoria independente, pelo Conselho Fiscal e pelo Conselho Deliberativo, que têm representantes dos associados e do Banco. Os relatórios anuais estão em cassi.com.br, em Informações financeiras, e os resultados mensais e trimestrais podem ser acompanhados no Visão CASSI. Dúvidas podem ser enviadas pelo Fale com a CASSI, com protocolo e prazo de resposta.
Atendimento e rede credenciada
Moro no interior e quase não tenho rede credenciada. O que está sendo feito?
Essa é uma reclamação legítima, e a CASSI tem trabalhado nela. A Telessaúde Especialidades oferece consultas por vídeo em 20 especialidades para cerca de 200 mil participantes do interior. Há também convênios de reciprocidade com operadoras como a Unimed em cerca de 340 cidades. Você pode indicar prestadores pelo App CASSI e, se não encontrar atendimento, acionar a Central CASSI, 24 horas, pelo 0800 729 0080.
Tive uma negativa, uma demora ou uma cobrança que não reconheço. O que faço?
Para negativas e casos urgentes, use a Assessoria ao Participante, disponível na área logada do site e no App CASSI. Para cobranças ou coparticipações que você não reconhece, confira o extrato no app e conteste por lá ou pelo Fale com a CASSI. Essas contestações também ajudam o plano: em 2025, evitaram cerca de R$ 5,2 milhões em gastos indevidos.
Votação e decisão
Como a proposta é aprovada?
Desta vez, a votação não muda o Estatuto. A proposta é um acordo de aporte extraordinário, ou seja, uma contribuição extra e temporária, feita pelo Banco e pelos associados, para reforçar o caixa do Plano de Associados. Esse aporte garante o tempo necessário para discutir com calma as mudanças no Estatuto.
Como o acordo não altera o Estatuto, a regra de aprovação é mais simples: basta que 50% mais um dos votantes votem a favor. Ou seja, vale a maioria de quem participar da votação.
A revisão do Estatuto fica para uma etapa seguinte, com regra mais exigente: mais da metade de todos os associados precisa votar, e pelo menos dois terços dos votos válidos precisam ser favoráveis. É nessa etapa que entram temas como o modelo de custeio definitivo e as regras de acesso ao plano, inclusive a situação dos egressos, dos admitidos a partir de 2018 e de quem deixou o plano.
Por que não votar logo a reforma do Estatuto?
Porque não daria tempo, e o tempo é justamente o que está em jogo. As reservas do plano acabam em dezembro de 2026. A reforma do Estatuto mexe em temas que afetam a vida de milhares de pessoas por muitos anos: o modelo de custeio definitivo, a divisão das contribuições entre Banco e associados e as regras de acesso ao plano, como a situação dos egressos de bancos incorporados, de quem entrou no Banco a partir de 2018 e de quem deixou o plano. Fechar tudo isso, divulgar, esclarecer as dúvidas e votar antes de o dinheiro acabar não seria possível.
Além disso, a reforma exige uma votação com regra mais rígida: mais da metade de todos os associados precisa votar, e dois terços dos votos precisam ser favoráveis. Uma proposta construída às pressas correria o risco de não ser aprovada, ou de virar mais uma solução de fôlego curto.
Por isso, as próprias entidades representativas propuseram o aporte extraordinário: ele garante o atendimento e as reservas até o fim de 2027 e dá o tempo necessário para construir a reforma com a profundidade que o tema exige.
E se eu não votar?
Nesta votação, quem decide é quem participa. Para o acordo ser aprovado, basta a maioria dos votos de quem votar: 50% mais um. Não existe um número mínimo de associados que precisam votar. Então, se você não votar, a decisão sobre o futuro do seu plano de saúde fica nas mãos dos outros colegas.
E essa decisão é importante. O aporte extraordinário garante o caixa da CASSI e o tempo necessário para discutir com calma as mudanças no Estatuto, que é onde vão entrar o modelo de custeio definitivo e as regras de acesso ao plano. A CASSI foi construída por colegas que decidiram juntos. Informe-se, tire suas dúvidas e vote.
Posso sair da CASSI se o custo ficar alto?
Pode, mas pense com calma. Pelas regras atuais, a saída é definitiva: quem deixa o Plano de Associados não pode voltar. E planos de mercado com cobertura parecida costumam custar mais, principalmente com a idade. Antes de decidir, compare cobertura, rede e quanto o plano vai custar quando você se aposentar.
Acesso ao plano
E os funcionários egressos de bancos incorporados?
É um tema antigo e importante, e ele faz parte das discussões. As regras serão discutidas e definidas quando chegar o momento de rever o Estatuto. Qualquer ampliação depende de mudança estatutária aprovada pelos associados. E, para abrir a porta a novos participantes, o plano primeiro precisa estar equilibrado. Por isso, a revisão do custeio é o passo que vem antes.
Quem entrou no Banco a partir de março de 2018 terá CASSI na aposentadoria?
Pelas regras atuais, pode continuar no plano após a aposentadoria, mas assumindo também a parte da contribuição que hoje é paga pelo Banco. Essa é uma questão estruturante, que faz parte das discussões sobre o futuro do plano e depende de mudança no Estatuto e aprovação de outras instâncias competentes.
Quem saiu do plano, por licença interesse ou outro motivo, pode voltar?
Hoje o Estatuto não permite o retorno. Qualquer mudança nessa regra precisa ser proposta e aprovada pelos associados. Como toda nova regra de acesso afeta o equilíbrio do plano, a decisão é coletiva.
Por que, na aposentadoria, a permanência na CASSI está ligada à PREVI?
Porque, para os aposentados, a renda paga pela PREVI é a base sobre a qual incidem as contribuições do associado e do Banco. É assim que o custeio continua depois que o vínculo de trabalho termina. Mudar essa lógica também depende do Estatuto.