CASSI: entenda as negociações para plano de funcionários e aposentados BB
Nesta quinta-feira, 29, o Banco do Brasil, a CASSI e as entidades representativas dos funcionários e aposentados retomam as negociações sobre o futuro do Plano de Associados. O foco, portanto, é sobre o plano exclusivo para funcionários da ativa e aposentados do BB e seus dependentes diretos e não abrange os planos para familiares (linhas Família, Essencial e Vida). O objetivo é construir uma solução que garanta que a CASSI continue cuidando de quem precisa hoje e nos próximos anos.
O assunto pede atenção, cuidado e um olhar atento a cada detalhe. Por isso, publicamos hoje, 28, e amanhã, 29, duas matérias especiais, com o que você precisa saber para acompanhar as próximas etapas.
Na abertura da série, conheça a história construída pelos funcionários e entenda por que a sustentabilidade do Plano de Associados, volta à mesa de negociação.
Onde tudo começou
A CASSI foi criada pelos próprios funcionários do Banco do Brasil.
Em 1944, um grupo de colegas enviou cartas pelo malote propondo que cada um contribuísse com 1% do salário para ajudar quem precisasse de cirurgia ou internação. A proposta deu certo porque vinha de colegas e se baseava em uma ideia simples: juntos, todos ficam mais protegidos.
O BB passou a ser patrocinador apenas em 1970, 26 anos depois. Até hoje, a CASSI é uma associação dos funcionários. E isso muda tudo: o associado não é apenas alguém que usa o plano. Ele faz parte da CASSI, participa da sua governança e tem voz nas decisões sobre o seu futuro.
Outra característica marcante: no Plano de Associados, o cuidado não muda conforme o cargo. Do primeiro cargo da carreira à direção, todos têm acesso à mesma cobertura e aos mesmos benefícios. Cada um contribui de forma proporcional ao salário, e todos recebem o mesmo cuidado quando precisam.

Em mais de 80 anos, o custeio do Plano de Associados passou por três revisões. Diferente de muitos planos de mercado, que têm reajustes todo ano, muitas vezes acima da inflação, a CASSI ajusta seu modelo em intervalos longos e com a participação dos associados.
O que está em discussão
O que está na mesa é uma reforma do Estatuto da CASSI. É o documento que define a estrutura, os objetivos e as regras de gestão e governança da CASSI, além das regras de custeio do Plano de Associados. E é justamente o custeio o ponto central da revisão: como equilibrar receitas e despesas para garantir a continuidade do Plano de Associados e da CASSI no longo prazo.
O custeio reúne os recursos que mantém o plano funcionando. Eles vêm de duas fontes, a contribuição dos associados e a contribuição do Banco. E pagam consultas, exames, internações, tratamentos, medicamentos e programas de promoção à saúde e prevenção de doenças. Quando o que entra não cobre o que sai, o plano passa a usar suas reservas, que funcionam como uma poupança.

O tema está em discussão desde dezembro de 2024. Se parece muito tempo, há um motivo: são muitas partes envolvidas, cada uma com diferentes contribuições que têm enriquecido o diálogo e ajudado a construir convergências em torno de uma solução que atenda ao conjunto dos associados e fortaleça a CASSI. Além disso, qualquer mudança afeta milhares de pessoas, entre funcionários da ativa, aposentados e familiares. Uma solução duradoura precisa ser bem pensada, discutida com cuidado e, no fim, aprovada pelos próprios associados.
Por que esse debate não pode mais esperar
A última reforma do Estatuto, em 2019, foi aprovada em um momento crítico, para recuperar o equilíbrio do plano. Já naquela época, os cálculos indicavam que as medidas garantiriam a saúde financeira da CASSI até 2022. Era um período de fôlego, e não uma solução definitiva.
Esse fôlego durou mais do que o previsto, graças às ações de gestão que conseguiram conter a curva de crescimento das despesas assistenciais, com ações de prevenção de doenças, reforçadas pelas CliniCASSI, e evitar gastos com renegociação dos modelos de pagamentos a prestadores. Além do uso de tecnologia para identificação mais ágil de tentativas de fraudes e uso indevido do plano, para evitar desperdício de recursos e pagamentos indevidos.
Mas o descompasso de fundo continua: as contribuições acompanham os salários, enquanto as despesas acompanham os custos da saúde, que sobem mais rápido. Hoje, o efeito disso aparece nos números.
Em 2025, o Plano de Associados terminou o ano com déficit de R$ 868 milhões. Para pagar as despesas, precisou usar R$ 813 milhões das suas reservas, que fecharam o ano em R$ 702 milhões. Esse valor das reservas caiu para R$ 314 milhões em agosto de 2026, quando o Plano de Associados acumulou resultado negativo de R$ 1 bilhão.
O uso de reservas é a alternativa quando a receita é inferior às despesas. Para se ter uma ideia, atualmente para cada R$ 100 que entram, saem cerca de R$ 140 com assistência, considerando as contribuições do BB e dos associados frente às despesas assistenciais.
Mas o que faz os custos subirem tanto? Vários fatores atuam ao mesmo tempo:
- A saúde ficou mais cara, e bem mais rápido que o restante. Nos últimos 12 meses, o custo médio da assistência nos planos de saúde do país subiu 9,5%, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), sendo muito maior do que a inflação no período. Na prática, o cuidado que custava R$ 100 passou a custar R$ 109,5. Essa diferença se repete e se acumula ano após ano, e afeta todos os planos de saúde, não só a CASSI.
- Os tratamentos estão mais caros. Os gastos com medicamentos, materiais e próteses pagos pela CASSI subiram R$ 415 milhões em um ano. Quase metade disso veio de medicamentos contra o câncer. Um dado ajuda a entender o cenário: o número de internações caiu 11,8%, mas o gasto com elas subiu 3,4%.
- Novas tecnologias chegam o tempo todo. Elas trazem tratamentos mais eficazes e salvam vidas, mas também custam mais.
- Estamos vivendo mais. Isso é bom, e também significa mais cuidado ao longo da vida.
Para saber mais, confira essas e outras informações no Visão CASSI e no Relatório Anual da CASSI.
Amanhã, na segunda matéria da série, você vai saber como o Banco antecipou mais de R$ 720 milhões em contribuições para que nenhum participante ficasse sem atendimento enquanto a solução é negociada. Foi uma decisão de responsabilidade com as pessoas que dependem da CASSI. Você também vai conhecer as iniciativas da CASSI para tornar a gestão mais eficiente, os resultados alcançados e porque esses avanços, embora fundamentais, não dispensam uma solução para o custeio do plano.
Entender o que já foi feito e o que ainda precisa mudar é essencial para participar deste momento. O debate é urgente, e informação é o que nos permite escolher com consciência o futuro da nossa CASSI.
Acompanhe a CASSI de perto
Nas próximas semanas, o futuro do Plano de Associados estará em discussão. Para acompanhar cada etapa, das negociações à votação, siga o canal oficial da CASSI no WhatsApp. Por lá, você recebe atualizações, materiais explicativos e respostas às principais dúvidas, direto da fonte oficial.
