Música, cura e prevenção: a história de Ananda Paixão após diagnóstico de câncer
Cantora e compositora pernambucana compartilha sua jornada de luta contra o câncer colorretal, a importância de ouvir o próprio corpo e como a arte e a rede de apoio, incluindo a CASSI, são fundamentais no tratamento.
Aos 23 anos, a cantora e compositora pernambucana Ananda Paixão recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida: câncer colorretal. Hoje, enfrentando uma recidiva da doença no fígado e com metástase, ela usa sua voz não apenas para cantar o pop que mistura ritmos nordestinos e latinos, mas também para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce e do cuidado com a saúde mental. Em entrevista à CASSI, Ananda fala sobre os desafios do tratamento, a força que encontra na música e a importância de uma rede de apoio sólida.
O diagnóstico e a jornada
Ananda conta que a descoberta da recidiva, em novembro do ano passado, foi um baque. “Foi super impactante. Talvez até mais impactante do que a primeira, porque a primeira você não sabe como você vai reagir. E agora, sabendo de todo o tratamento que eu já fiz, tendo que voltar ele todo de novo, foi mais angustiante”, desabafa.
O diagnóstico inicial, anos atrás, demorou a chegar. Apesar de apresentar sintomas claros, como sangramento, a juventude de Ananda parecia “cegar” alguns profissionais. “Eu fiquei um ano e pouco com os sintomas. E eu fui em três médicos, três proctologistas. Nenhum deles me pediu a colonoscopia”, relata. A cantora ressalta a importância de os médicos ouvirem os pacientes com atenção, especialmente com o aumento de casos de câncer colorretal entre os jovens. “Por isso que eu acho que é muito importante para os médicos fazerem a anamnese do seu paciente com carinho, com amor, sabe?”
A música como válvula de escape
Em meio às sessões de quimioterapia, Ananda encontrou refúgio no estúdio. Seu novo álbum, finalizado em janeiro, tornou-se um pilar de sustentação. “Eu falo com todas as certezas do mundo que a música me salva todos os dias”, afirma. O álbum, segundo ela, não é sobre o câncer, mas sobre sua vida, suas crises de identidade e seus relacionamentos, refletindo também a dor do tratamento. “Eu acho que foi um dos pontos que mais me mantiveram firmes pra fazer as quimios e continuar fazendo.”

“Eu falo com todas as certezas do mundo que a música me salva todos os dias. (…) Terapia salva vidas. A gente tem que ter momentos de respiro também, e os grupos de apoio, como a CASSI tem, ajudam muito.”
Ananda Paixão.
Saúde mental e rede de apoio
Para Ananda, cuidar da mente é tão vital quanto tratar o corpo. “Eu acho que essa, sinceramente, é a parte mais importante. Mas talvez até mais do que a física. Porque quando a nossa mente tá bem, parece que a gente consegue mais”, reflete. Ela enfatiza a necessidade de buscar ajuda profissional e de se apoiar em amigos e familiares. “Terapia salva vidas”, declara.
A cantora, que é beneficiária do Banco Central e utiliza a rede credenciada da CASSI por meio do convênio de reciprocidade entre as instituições, destaca a importância de grupos de apoio e redes de cuidado durante o processo. “A gente tem que ter momentos de respiro também. E eu acho que a arte, os amigos. Os grupos de apoio, como os que a CASSI tem, ajudam.”
Prevenção e qualidade de vida
Ao ser questionada sobre o que diria aos jovens sobre prevenção, Ananda é direta: o foco deve ser a qualidade de vida. “Eu acredito muito no que a gente coloca para dentro do nosso corpo. Então, a alimentação. Ter uma alimentação balanceada”, aconselha. Ela também recomenda a prática de atividades físicas e, mais uma vez, a terapia. “Faz uma atividade física. É tão importante isso. E eu nem estou falando de pagar uma academia. Eu estou falando de fazer uma caminhada no quarteirão de 20 minutos.”
Com maturidade e resiliência, Ananda Paixão segue sua jornada, transformando sua dor em arte e sua história em um alerta vital para a prevenção e o autocuidado.