Publicado em: 26/10/26

Sustentabilidade: já estamos fortalecendo a CASSI do futuro

Conheça ações já em andamento para preservar recursos e seguir garantindo o cuidado das pessoas ao longo do tempo

A saúde suplementar brasileira vive um cenário de transformação. O setor atende mais de 53 milhões de pessoas vinculadas a planos de assistência médico-hospitalar, contando com R$ 344,6 bilhões em receitas para cobrir R$ 276,9 bilhões em despesas assistenciais em 2025, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Esse cenário superavitário não reflete, porém, a realidade de todas as operadoras, devido aos diferentes fatores que compõe o custo assistencial (uso dos serviços, perfil etário e de adoecimento da população) e a receita (se ajustada conforme a variação do custo assistencial ou atrelada a outros indicadores).

O custo assistencial, portanto, não varia apenas pelo aumento do preço dos exames, internações e consultas: é influenciado ainda pelo crescimento no uso dos serviços, pela incorporação de novas tecnologias, medicamentos e tratamentos e pela evolução do perfil de saúde da população – em geral, pessoas idosas usam mais o plano de saúde. É o que indicadores como a Variação do Custo Médico-Hospitalar (VCMH) ajudam a acompanhar.

Esse cenário torna a sustentabilidade um desafio permanente para as organizações que atuam na saúde.

É nesse contexto de diferentes variáveis que está a discussão sobre a necessidade de equalização do déficit do Plano de Associados. O resultado econômico-financeiro da CASSI nos dois últimos anos, negativo em R$ 470 milhões (2024) e R$ 425 milhões (2025) está relacionado ao plano dos funcionários da ativa e aposentados do Banco do Brasil e seus dependentes diretos, que apresentou déficits consecutivos de R$ 580,7 milhões e R$ 867,7 milhões, respectivamente. Os planos destinados aos familiares apresentam dinâmica financeira diferente, sendo inclusive superavitários (CASSI Família e CASSI Essencial, exceto CASSI Vida).

O ponto central é estrutural: as receitas do Plano de Associados têm uma dinâmica ligada à remuneração dos participantes, enquanto as despesas assistenciais são influenciadas pelo crescimento dos custos da saúde e pela utilização dos serviços.

Por isso, a sustentabilidade do plano não depende de uma única medida. Ela exige uma combinação de cuidado adequado, eficiência, gestão de recursos, prevenção e geração de novas receitas.

E esse trabalho já vem sendo feito.

Uma das principais frentes é o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS), capaz de um cuidado comprovadamente mais eficiente na promoção de saúde e prevenção de doenças, e ainda relevante no controle da curva de elevação das despesas assistenciais. Isso porque reduz o adoecimento e o agravo de condições crônicas de diabéticos e hipertensos, por exemplo, e diminui a necessidade de internações e procedimentos de maior complexidade.

A ampliação e a modernização das CliniCASSI, somadas ao reforço das equipes de saúde para fortalecimento da APS, se converteram em aumento das consultas nos serviços próprios (CliniCASSI e Telessaúde Atenção Primária), onde o acompanhamento é mais próximo e direcionado às necessidades, e redução de consultas em pronto socorro e agendadas na rede credenciada, onde a ausência de um gerenciamento pode levar a procedimentos desnecessários ou repetidos. A estrutura de atenção primária também foi ampliada em formato de telessaúde, para o acompanhamento de participantes do interior, onde não existe CliniCASSI.

O resultado foi queda de 11,6% nas consultas em pronto socorro hospitalar e em 5% na rede credenciada, contra aumento de 36% nas teleconsultas APS e de 8% nas CliniCASSI de janeiro a setembro deste ano, mantendo a tendência dos dois últimos anos. Em 2025, as consultas em prontos-socorros caíram 10,8% e, na rede credenciada, 5,8%.

O avanço no cuidado de pessoas com doenças crônicas, que melhora a qualidade de vida e evita agravos, também contribui para a sustentabilidade. Mais de 80% dos participantes identificados com diabetes, hipertensão e dislipidemia foram incluídos no acompanhamento pelas equipes de saúde, e mais de 68% mantiveram acompanhamento regular. Os acompanhados têm custo per capita de uso da rede credenciada menor em até 46% na comparação com não acompanhados.

Essa estratégia foi ampliada para o câncer de mama, ampliando a proporção de diagnósticos em estágios iniciais de 21,9% em 2024 para 26,8% em 2025, e reduzindo o intervalo entre diagnóstico e tratamento caiu de 84 para 75 dias. Melhora a qualidade assistencial e gera potencial redução na necessidade de procedimentos mais complexos.

A CASSI vem ampliando o uso de inteligência artificial na análise de autorizações e de reembolsos, agilizando a resposta aos participantes ao mesmo tempo que identificando com rapidez e segurança padrões de utilização e tentativas de cobranças indevidas.

Além disso, tem intensificado as auditorias presenciais em hospitais para garantir a assistência adequada e aprimorar a prevenção e combate a fraudes e desperdícios. A lógica é garantir que os recursos do plano sejam usados onde realmente fazem diferença para a assistência.

A sustentabilidade também passa pela capacidade de ampliar o acesso sem perder eficiência. Em 2025, a CASSI credenciou novos prestadores, principalmente em municípios do interior com carência de rede, e acrescentou mais de 3,1 mil especialistas à disposição dos participantes. Seguiu avançando na negociação com hospitais para adotar modelos de remuneração que que estimulem qualidade, prevenção, coordenação do cuidado e melhores resultados em saúde ao mesmo tempo que permitem maior previsibilidade de gastos e redução das despesas.
Na prática, isso significa buscar o equilíbrio entre três pontos: cuidar bem, utilizar os recursos de forma responsável e evitar despesas que poderiam ser prevenidas ou melhor coordenadas.

A ampliação de convênios de compartilhamento de rede com outras operadoras tem permitido mais acesso aos participantes do interior, como a parceria com a Unimed em novas 340 cidades, evitando pagamento direto a prestadores que custa mais caro para a CASSI. Além disso, os convênios geraram R$ 65,6 milhões em novas receitas para a CASSI no último ano, com a taxa pelo uso da rede CASSI pelos participantes de operadoras parceiras.

Todas essas ações mostram que sustentabilidade não é apenas reduzir despesas. É fazer escolhas que melhorem o cuidado e, ao mesmo tempo, contribuam para que os recursos sejam utilizados de forma mais eficiente.